Santos, Terça-Feira  7 de Setembro de 2010
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Livro de Micos  
"A arte de pagar micos e king kongs - Viver sem culpa"


Jô Soares, Itamar Franco, Xuxa, Antonio Ermírio de Morais e muitas outras celebridades integram o elenco de micos que a autora relata neste irreverente livro

Ela já entrou em carros e festas erradas, imitou a Xuxa diante de dezenas de taxistas em um congresso em Madrid, quase estragou o show do Jô Soares com seu riso retardatário e foi capa do principal jornal de Vitória (ES) ao lado do então presidente Itamar Franco por causa de seu comportamento despojado. Em um evento de negócios, passou a noite reclamando do atendimento da Vasp para o presidente da companhia, Wagner Canhedo, quando pensava estar diante de um funcionário da companhia... Depois de pagar muitos micos na vida, a consultora de empresas e psicodramatista Regina Araújo resolveu contar suas histórias em um livro em que mostra que dar vexame pode fazer bem à carreira, à vida pessoal e ainda ajudar a viver mais livre. 

Regina conta que a idéia de escrever o livro surgiu após o acúmulo de experiência de oito anos ministrando cursos de oratória para mais de oito mil pessoas em diferentes partes do país. “Em todos os cursos, percebi o quanto estar sob o olhar dos outros incomoda. Não é à toa que pesquisas demonstram que um dos maiores medos das pessoas é o medo de falar em público porque, afinal, isso implica em ser observado e correr o risco de ser taxado de ridículo. Descobri que a melhor forma de ajudar alguém a falar em público é exatamente fazê-lo pagar micos em grupo. Isso ajuda a pessoa a perder o medo”.

No mundo contemporâneo, onde a eficiência e a competitividade são valores determinantes, nada pode ser mais assustador do que pagar mico – afinal, isso significa por à prova a personalidade e a própria individualidade. Regina acredita que haveria mais felicidade se as pessoas se cobrassem menos e aceitassem mais suas falhas, medos e inseguranças. Assim, o livro pretende mostrar que podemos nos permitir pagar tantos micos quantos forem necessários, conta Regina, que esteve no Jornal da Record falando sobre o crescimento no mercado de obras autobiográficas como essa.
O livro foi tema do Programa Sem Censura da Leda Nagle com artistas contanto seus Micos e King Kongs, na oportunidade estavam presentes a cantora Simone e Maria Clara a personagem TE CONHEÇO? Do Programa Zorra Total. Foram duas horas de risos e muitas histórias engraçadas. Regina contou seus micos, falou sobre política, stress, mercado de trabalho e espiritualidade, sempre no contexto de Pagar Micos.

Todos os micos vividos pela consultora estão no livro. A autora conta que grande parte das suas conquistas – tanto na vida privada como na pública – ocorreu por conta do meu comportamento, digamos, despojado. Seu casamento e sua carreira aconteceram graças a dois casos inusitados de micos. Assim, para sermos mais livres para pagar micos, a autora sugere, primeiramente, que libertemos a criança que existe em nós. “Quando crescemos, tendemos a adotar uma postura profissional rígida e séria. Matamos aquela criança alegre, livre - e por isso mais propensa à criatividade - que existe em nós para nos enquadrarmos no sistema do mercado”. 

Para demonstrar que uma vida calcada no riso e no bom humor pode até render bons lucros, ela mostra exemplos de verdadeiros profissionais do mico. No universo musical,
destaca grupos como o Mamonas Assassinas, o Quasímodo, o Língua de Trapo, e a Banda Vexame, que tem entre seus integrantes a atriz Marisa Orth. Todos têm uma característica em comum: utilizaram ou ainda utilizam o vexame, o ridículo e o irreverente como tema central de suas produções - razão de seu sucesso. “Mas, no quesito mico profissional, a campeã é a apresentadora e modelo Luciana Gimenez, que, ao contrário do que muitos dizem, soube usar sua inteligência para tirar proveito de seus erros, tão citados pelo colunista da Folha de São Paulo, José Simão”.

A consultora ressalta que pagar mico é também uma oportunidade de aproveitar situações imprevistas para ressaltarmos nossa individualidade e originalidade. “Quando pagamos micos, somos nós mesmos, sem máscaras, sem códigos e sem qualquer possibilidade de aplicar fórmulas”. 

Pagar mico, além de ajudar a nossa própria aceitação, faz bem à saúde. Um bom mico sempre provoca boas gargalhadas – sejam as alheias ou as suas próprias. “O riso e o bom humor, são ações integrantes de uma saúde plena. Sorrir ativa regiões do cérebro vinculadas ao bem-estar e melhoram assim a capacidade imunológica. Já descobriram até que sorrir reforça o coração, um músculo. Ao rirmos, também oxigenamos o sangue e o cérebro, garantindo maior capacidade de tomada de decisões”.

No livro, Regina fala também da origem da expressão “pagar mico”. Há a versão do jogo de cartas em que pares devem ser formados e perde quem ficar com a única carta do jogo sem par, o mico. Daí, ficar com o mico “existencial” nas mãos em um mundo de pares é como receber uma “condenação”. Outra versão da origem é da zoologia, e neste caso o mico leva a fama de bagunceiro por causa de outro primata: o macaco-prego, uma espécie um pouco maior, também conhecido por mico em algumas regiões do Brasil - daí a confusão. O macaco-prego é que é o rei dos micos, exibido e metido a artista. 

Pagar mico já tem história, lembra Regina. A autora conta no livro que na época da modernização das cidades brasileiras, na virada do século XIX para o XX, em pleno calor do Rio de Janeiro, era possível encontrar patrícios com casacas e sobretudos ingleses, sem contar os que traziam esquis para a então capital federal.

No livro ela ainda apresenta uma coletânia de tipos de micos, muitos com os quais o leitor vai se identificar. O livro é ilustrado com desenhos de Alex Ponciano. “Mais do que contar micos, gostaria de incentivar todos que temem o novo, o desafiador, o ridículo e a exposição a perceber que estas vivências do mundo fazem parte do enriquecimento de nossa experiência”. Ao se arriscar, você no mínimo sai da rotina. O que fazemos de diferente é o que marca nossas vidas. Aproveito para sugerir ao Governo Federal que adote o seguinte lema em suas campanhas: ‘O Ministério da Saúde adverte: pagar micos faz bem à saúde’. Editora Qualitymark

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"A arte de pagar micos e king kongs - Viver sem culpa"
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